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“A poupança do agricultor é cuidar do solo”

O 10º Encontro de Marketing em Alimentos e Agronegócio, realizado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da USP, mostrou que o produtor rural está cada vez mais “digital”. Ao mesmo tempo, o agricultor busca nas empresas fornecedoras de produtos e serviços informações que ajudem a ampliar produtividade e rentabilidade.

Frase em vídeo apresentado pela Syngenta no evento resumiu o cenário: “a caderneta de poupança do agricultor é o solo”, e não aplicações financeiras em bancos.

O encontro teve como tema “O Futuro do Marketing - Pessoas, Processos e Produtos”. A realização foi dos grupos MarkEsalq e EsalqFood. Ao longo do dia, palestras e workshops ampliaram os conhecimentos dos estudantes, profissionais e dirigentes de empresas presentes.

O foco nos negócios do empresário rural chamou a atenção de Ricardo Nicodemos, diretor da Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócio (ABMRA). Segundo ele, 81% dos entrevistados na sétima edição da Pesquisa Hábitos do Produtor Rural ABMRA não têm outra atividade.

A pesquisa ouviu mais de 2.800 produtores, entrevistados pessoalmente em todo o País. Buscou traçar o perfil desses produtores, seus hábitos e preferências de mídia e comportamento de compra.

A tecnologia está presente. Mesmo com problemas no sinal em todo o país, hoje 96% dos agricultores possuem celulares com acesso à internet. A busca por informações, segundo a pesquisa, ajuda na análise de questões como o custeio dos insumos.

Culpa do defensivo e da semente

Verona Montone, da Climate, destacou que, a cada safra, o agricultor toma aproximadamente 40 decisões de grande importância. “Por isso, ele precisa ter múltiplas fontes de dados”, afirmou. A Climate, criada por especialistas em tecnologia nos EUA, foi adquirida pela Monsanto.

Durante sua fala, Verona apresentou tecnologia que amplia o acesso do agricultor a dados como clima, atuação das pessoas e desempenho dos equipamentos ao longo da safra.

Essas fontes ajudarão a derrubar paradigmas, contou Max Fernandes, da área de vendas da Monsanto. Um dos costumes é o de invariavelmente culpar semente ou defensivo quando os resultados da colheita não são bons.

Para Cláudia Souto, da Cargill, educar e engajar o consumidor se tornou fundamental para as empresas. A tecnologia ajudou nessa tarefa. “As mídias sociais permitem individualização dos conceitos”, declarou.

As empresas também estão de olho em itens como sustentabilidade, diante do desafio que é a produção de alimentos em nível mundial. Nesse sentido, a qualidade do solo volta à tona, com práticas como a correção da acidez nas fazendas brasileiras – ação na qual o calcário é um dos principais itens.


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